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OKI DO YOGA MEDITAÇÃO SHIATSU CHI KUNG TAI CHI EMF
 
Artigo publicado no Jornal Bem Estar nº83 julho/2010 - Porto Alegre RS
 
O FLUIR EM NOSSO SER

A estação inverno manifesta a força da água, e nela encontramos a
sabedoria para aprendermos fluir.

  ODILA ZANELLA

A natureza da água é fluir, e nossa natureza humana busca incorporar essa virtude – o fluir - para manter as múltiplas relações a partir das quais ela estabelece o fundamento de si mesma. O desafio é fluir com harmonia, livrar-se do escorregar ou do estagnar em nossas relações. O fluir apresenta-se não apenas no interagir com outras pessoas, situações, lugares, como também no interagir com as múltiplas dimensões do nosso próprio ser, com as energias do nosso planeta e do universo. A sabedoria do fluir pode ser observada na mobilidade da água, água que se manifesta de dois modos: como Força da Natureza – dimensão macrocósmica – e como substância – dimensão microcósmica.

O modo como sentimos a estação inverno é a manifestação da Força da Água em nosso corpo. Essa relação foi estabelecida pela tradicão chinesa. E ao estarmos em harmonia com a Força da Água, asseguramo-nos de que a estação inverno também nos seja agradável. Contudo, expressar de forma equilibrada a energia da água no cotidiano de nossas vidas envolve busca de conhecimento. Por outro lado, a água, que manifesta em si a sabedoria do fluir, precisa ser assimilada aos poucos, caso contrário, ela afoga.

Podem existir momentos na vida em que o caminho nos parece reto, como, por exemplo, nas ocasiões em que colocamos nosso foco, objetivamente, no ascender. Em tais circunstâncias, uma leitura sobre o fluir seria provavelmente engavetada, pois esse movimento não diz respeito ao cumprimento de prazos e metas. Entretanto em outros momentos, para lidarmos com diferenças, amenizarmos separações, a energia da água precisa ser harmonizada em nosso ser. Na natureza, essa substância tem múltiplas dimensões, ou propriedades físico-químicas, e cada uma delas pode ser uma metáfora desafiadora para compor o fluir em nossas vidas.

As polaridades para interagir

Para fluir, a água dissocia a maioria das substâncias e transporta seus íons ou moléculas, por isso, ela nunca é pura. Tem como característica ir além, interagir com a maioria das substâncias, pois possui em si – na sua geometria molecular – os dois extremos ou pólos – negativo e positivo – para reconhecer o semelhante e inserir-se na dinâmica da vida. Enquanto sentimos preconceitos, não reconhecemos o semelhante e, por vezes, nem mesmo as partes do nosso próprio corpo. Como fluir, então? Dissociar e interagir são movimentos/comportamentos necessários, todavia não são suficientes para fluirmos bem. Como nos mostra a natureza da água, há outras habilidades a serem experimentadas.

Um planeta para fluir
O elemento água encontrou no planeta Terra a forma mais equilibrada para fluir – o estado líquido – e o coloriu de azul, algo raro no universo. Mesmo assim, guarda suas memórias quando se move para o estado sólido, cuja estrutura lembra a do diamante. Na singularidade do fluir, a água manifesta, ainda, outros momentos para enfrentar a reciclagem: “dá um tempo”, ao evaporar-se ao sol; viaja com o vento, precipita com a chuva, infiltra-se nos lençóis para se conservar, transpira nos vegetais e pousa na neblina. Tem a maestria da auto-renovação. Fluir é uma complexa aventura cheia de existência, pois sempre haverá desafios.
O potencial da água está em nosso ser
Ao se constituir de água em mais de setenta por cento, o corpo humano também encontrou uma forma de garantir a si mesmo o fluir. Mas, por que o fluir ainda nos falta? O rim é o órgão, que na sua função de filtrar, regula o volume de água que circula no corpo. Quando se perde a sabedoria do fluir, o medo surge como um regulador. O medo é a emoção relacionada ao elemento água e ao sistema rins-bexiga.

O medo é uma vibração, um modo próprio do Qi (energia) da água se manifestar, como um alerta, sobre dificuldades enfrentadas pelo rim, relacionadas às toxinas que absorvemos diariamente, sejam elas sob a forma de substâncias – alimentos ou medicamento- ou sob a forma de informações ameaçadoras que acessam nossa mente. Vale ainda lembrar que o inverno é a estação da preservação: deve-se cuidar das articulações, pois é lá que as toxinas bloqueiam as águas. Ficamos mais meditativos, sendo esse um bom momento para, na quietude, manter a dinâmica necessária no trabalho, e também para entrar em contato com nossos movimentos internos.

Praticamos yoga,
pois o corpo demora aprender
No percurso do yoga, aprendemos asanas ou posturas. Podemos realizar asanas avançados após algumas semanas de treino. Com o fluir, no entanto, é diferente, pois, como ele não se apressa, como prioriza a interação entre as partes, o corpo demora apreendê-lo. Fluir envolve a ativação da escuta interior, que dá ao corpo os limites sustentáveis da postura. A intensidade do fluir segue um propósito e podemos expressá-lo como o fluir da fonte, da nascente, do riacho, do rio, do lago, do mar e do oceano. O fluir é sempre dinâmico, assim também são as posturas no yoga. Mesmo que não pareçam, elas sempre são dinâmicas quando incorporamos o fluir na sua prática, isto é, ao armar uma postura, na sua permanência, ao desfazê-la ou nas criativas passagens de uma postura a outra, e, mesmo, ao descansar. No fluir, o corpo encontra sua forma ou se amolda tranquilo. Essa dinâmica interna, levada ao cotidiano, gera paciência – o que é bom para “transações” de todos os tipos. Para aprender a fluir através do yoga, você não precisa fazer aquelas posturas avançadas. Pode-se progredir com tantas outras posturas/possibilidades através desse fluir harmônico que também produz uma interação saudável do homem com a natureza e, desse modo, uma sociedade capaz de realizar um progresso ecologicamente sustentável.
 
Água como mediadora à Totalidade

Há, ainda, uma indagação essencial sobre as dimensões do fluir: para que dimensão queremos fluir? Somos seres multidimensionais. O fluir é uma sabedoria que nos dá acesso, mesmo que seja por frações de segundo, a essas dimensões múltiplas. A água é a mediadora da realidade molecular e da realidade sutil, pois transporta informações. A sabedoria milenar do Yoga nos inspira para alcançar o Samadhi - a dimensão concebida como a Totalidade. Sua natureza é indescritível, mas podemos senti-la no exercício do fluir ou meditar, e isso é saudável, pois nos conecta a um oceano de paz, dando-nos existência no aqui e agora. Isso é o Yoga.

  Namaskar!
Odila Zanella é professora de Oki do Yoga em Porto Alegre RS
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