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OKI DO YOGA MEDITAÇÃO SHIATSU CHI KUNG TAI CHI EMF

Artigo publicado no Jornal Bem Estar nº121 setembro/2013 - Porto Alegre
ODILA ZANELLA
  Meditação é um método sobre o qual muito se escreve, nunca nos faltando orientações para sua prática. Especula-se que há cerca de quatro mil técnicas de meditação, mas é possível que você não utilize nenhuma delas e tenha uma outra, a sua. Cada técnica compartilha sua fração de verdade e torna-se atrativa enquanto vai preenchendo nossas necessidades, tranquilizando-nos; á medida que superamos etapas, aspiramos conhecer outras técnicas. E assim seguimos enquanto não percebemos nosso modo próprio de nos inserir/reconectar a um estado de consciência suprema.
Aficionados pelo acesso instantâneo/imediato às informações no ciberespaço, ocupamos nossas mentes, havendo uma subjacente perda do encanto pelo sentir. Então, apressar-se na prática da meditação significa buscar um padrão de equilíbrio harmônico que compartilha das ferramentas virtuais de comunicação, inclusive com suas armadilhas, sem nos afastar do que nos liberta para aquela outra dimensão, a do coração.
 
  Apressar-se na prática da meditação
significa buscar um padrão de
equilíbrio harmônico
 
Nesse contexto, é aceitável repensar nosso objetivo na prática da meditação. Embora seja inegável a busca de um estado de plenitude, mesmo assim, tendemos a recorrer às partes, e cada técnica nos enquadra numa parte, e aí permanecemos focados, sem desatar a saída para o Todo, por exemplo, ao nos centrarmos no plexo laríngeo - vishuda chakra, segundo o yoga - para meditar, harmonizamos esse plexo, o que melhorará a relação mente-coração em nosso ser. É, de certo modo, prioridade cuidarmos das partes, se o propósito é integrar o que nos impede a vibração Una. A magia acontece justamente quando saímos das partes, porém não há racionalidade ou ferramenta virtual que a promovam.
Dar-se a liberdade de sentir que uma realidade microcósmica nos acolhe e nos expande para uma realidade macrocósmica é pouco traduzível. Técnicas para meditar são incansavelmente descritas em muitos textos, mas a conexão é particular, dá-se através de cada um. Esse acesso, portanto, só você pode conhecê-lo, tecê-lo, e será único para você. Nesse sentido, o estado de meditação parece ser algo que os cientistas não conseguem dimensionar por ser de uma dimensão/existência mais profunda, cuja ressonância ecoa onde a inteligência, por sua natureza, não alcança, assim sendo, trata-se de um estado que é validado pelo meditador, por ser ele próprio o instrumento no qual registros indiretos tornam-se benefícios pessoais, uma experiência que ressoa para o bem da vida em nosso planeta.
   
 
 
Continuando com as Partes
  Enquanto nossa atenção é localizada em uma parte, ativa-se a emissão e/ou absorção de fótons, ou uma vibração cujo domínio é mais universal, e quando não a distinguirmos mais, mas ainda assim continuarmos atentos, conseguimos confinar todas as partes numa ressonância de natureza única e experimentar fragmentos de expansão absoluta. Fragmentos, porque apenas conseguimos sentir a soma infinita do que ocorre em prováveis milionésimos de segundos, por isso a estabilidade é dinâmica, porém o suficiente para relembrarmos da agradável ressonância única. Essa experiência armazenada estará sempre entrando em contato com a natureza subatômica do nosso corpo. Assim, à medida em que cada parte está em ressonância com o padrão do si mesmo, seu próprio canal radiante, a meditação nos guia a diferentes estados de samadhi, último estágio do yoga. Essa experiência de nos fundirmos na consciência pura atualiza-nos para continuarmos caminhantes livres; ao contrário, se vacilamos demais nas sombras e obstáculos das partes e distraídos pelo aumento dos ruídos internos e externos, poucos benefícios são sentidos. É oportuno lembrar que na pratica do yoga melhoramos a concentração – cheio - para acessar sua contraparte que é meditação – o vazio.
Presume-se ainda que a estrutura bioeletromagnética do nosso ser também sofre atualizações com seus ganhos e perdas, desse modo, o que tentamos sentir/conceber hoje, possivelmente, não é a mesma estrutura sutil concebida há milênios, por exemplo, os atributos que diferenciam o primeiro chakra, do segundo chakra, no sutil sistema de energia da tradição milenar do yoga tendem a uma atualização na qual se fundem num centro criativo raiz. É de se pensar...
 
Meditação e Felicidade
 

A meditação gera um ciclo de virtudes pacificadoras que sentimos como ondas de felicidade. Então ocorre que escrever sobre felicidade/ arte de viver abre um leque de reflexões que nos encorajam para uma metamorfose existencial. São muitas as disciplinas ou filosofias que oferecem orientações para uma vida mais feliz, e há algo comum nesses textos, qual seja, o fato de apresentarem em sua síntese ou no desfecho dos argumentos a prática da meditação. Com efeito, os temas meditação, tradição oriental e antiga ultrapassam culturas e religiões. No contexto do yoga, todo treinamento deve conduzir à etapa Dhyana - a meditação. Então, esse recorrente chamamento a meditar o que significa? Talvez só a própria meditação possa responder.

 
É certo que a meditação ancora um estado de felicidade
independente dos apelos externos que desestabilizam nossa centralidade,
nossa natural frequência energética e vitalidade, que nos fazem sofrer/adoecer
 
É certo que a meditação ancora um estado de felicidade independente dos apelos externos que desestabilizam nossa centralidade, nossa natural frequência energética e vitalidade, que nos fazem sofrer/adoecer. Sabemos que os sentidos limitam nossa percepção, desencadeando incessantes desejos que se traduzem em satisfações efêmeras. Há de se refletir por que tomamos felicidade por pacotes de estímulos externos. Por outro lado, quando adoecemos e a consulta relâmpago pouco nos ajuda, aproximar-se de si mesmo através da meditação potencializa a esperança, gerando serenidade, clareza e autocura. A meditação tem pressa, pois a cura da alma se perde na dependência de conteúdos embalados pelo poder que manipula nossos sentidos e mentes. Infeliz dependência.
Se você puder meditar, é melhor pensar que não se trata exatamente de buscar a felicidade – às vezes a palavra por si só já nos produz ansiedade – pois aprendemos sobre a intermitência desse estado. São muitos os apelos externos para sermos felizes com coisas que nos enfraquecem; a prática da meditação desarma esses apelos. Enquanto meditamos, sentimos que podemos estar bem sem atender às provocações da mente. Numa postura silenciosa, desarmada e atenta à vibração Unificadora, os fardos das necessidades impostas pelos ruidosos meios consumistas se reciclam em nós mesmos para reacenderem um potencial seguramente mais humano, fazendo-nos sentir uma consciência pacificadora que também conta nossa história como pessoa.
   

Se você puder meditar, é melhor pensar que não se trata exatamente de buscar a felicidade,
pois aprendemos sobre a intermitência desse estado. São muitos os apelos externos para sermos felizes
com coisas que nos enfraquecem; a prática da meditação desarma esses apelos

Transparência na Meditação
 

 

  outro lado, a meditação espera transparência da mente. Em outro âmbito, a transparência se perde a caminho da ética, e a pergunta “quem somos?” também não se deve fazer (é uma provocativa pergunta, mas a impermanência não assegura nenhuma resposta). Meditação é sentir a totalidade para relembrar/revitalizar a essência humana. Mesmo que a mente nos tente com alguma definição, tal definição será apenas um pensamento. A meditação é sem mazelas; a atenção autentica no treinamento, nos liberta de vibrações sem atributos humanos. Com uma consciência mais pura, podemos sentir a essência do potencial cocriativo humano e universal.
A transparência ainda é perturbada pelo artificialismo que toma conta de nossas vidas em favor da comodidade. Trocamos a preservação da essência vital em nós mesmos e na natureza por conveniências imediatistas. Os alimentos aditivados, refinados, avantajados com agrotóxicos são exemplos conhecidos. Receando oferecer afetiva transparência cara a cara, contabilizamos amigos no facebook. E na opção por terapias online, perde-se, inclusive, a preciosa leitura da presença energética humana. A fim de aparentarmos mais vitalidade, preenchemos ou esvaziamos marcas biofísicas em nosso corpo, que registram nossa caminhada no tempo, pensando assim driblar nossa dificuldade de expressar o potencial infinito - que não sofre a ação do tempo - de cuidar/tecer os fios que atualizam a nossa própria malha bioeletromagnética.
Embora nesse modo das aparências, alguém sentado quieto, meditando, possa parecer algo “muito parado”, tal impressão é apenas verdadeira no que diz respeito à base física, uma vez que a postura harmônica ancora a dinâmica de conexão do indivíduo consigo mesmo e com a rede cósmica. As posturas treinadas num dos estágios do yoga tem como propósito dar conforto e quietude ao corpo físico para que se possa, enfim, meditar.
A natureza humana está vulnerável ao ciberespaço, à artificialidade, ao materialismo e a tantos outros aspectos da cultura que geram conflitos enquanto promovem a não percepção da ignorância e se constituem numa frágil inserção humana (ou num frágil pertencimento ) à rede de informação universal ou consciência cósmica. A meditação também tem pressa porque é o estado em que cada ser pode se recalibrar e sentir sua autenticidade. Continuamos por isso a reafirmar que a meditação sustenta a conexão para garantir a autenticidade da natureza humana e dar assim sobrevivência à verdadeira felicidade.
 
  Mestre Masahiro Oki disse ter pensado certa vez que não podia compreender a dimensão de Deus, porque não meditava o suficiente, mas logo apreendeu que “quem é Deus?” é uma pergunta que não se deve fazer. De fato, a mente com seus pensamentos satura a realidade com imagens, formas e luzes, artificializando-a e, enquanto a indagação segue nessa opacidade, do
Namaskar a Todos!
Odila Zanella é professora de Oki do yoga em Porto Alegre RS
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