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Artigo publicado no Jornal Bem Estar nº81 maio/2010 - Porto Alegre
 
CONCENTRAÇÃO CONSCIENTE

Estamos sempre concentrados em algo, mas, como avançar ao natural estado de concentração consciente?

ODILA ZANELLA

Melhorar a concentração é uma das motivações mais frequentes para as pessoas buscarem a prática do Yoga. Algumas o fazem por questões específicas como, por exemplo, estudantes em momentos de muita exigência, em processos seletivos. Mas vejamos, todos nós dispomos de um potencial para nos concentrarmos naquilo a que já estamos habituados, todavia, nesse modo automático, ficamos aquém da concentração consciente. Com efeito, é dessa concentração consciente que se pretende tratar aqui, pois, quando não conseguimos estar nessa condição, ficamos inquietos e pouco eficientes em relação a outros aspectos da vida. Ou seja, ao nos sentirmos dominados por hábitos sobre quais temos pouco controle, acabamos por nos tornar dispersos e inseguros.

Sermos capazes de nos concentrar nas atividades que desempenhamos rotineiramente tem sua importância. Pode-se dizer que lucramos com isso. Entretanto, quando percebemos que nossa experiência como seres humanos tem aspectos sutis, ansiamos por uma percepção mais consciente, isto é, irmos além daquela concentração habitual. Assim, visando a uma concentração mais estável e equilibrada, sugerimos a incorporação de um treinamento para que a estrutura do nosso ser energético se mantenha ordenada – calibrada. Tenho observado que, quando nos empenhamos nesse treinamento, a concentração consciente acontece naturalmente.

Na concentração consciente, as partes se integram e, a mesma, pode ter como base o fortalecimento das conexões da estrutura energética do ser. Quando os filamentos dessa estrutura se rompem ou enfraquecem, sentimo-nos fragmentados e doentes. Buscamos então a quietude e esperamos o tempo necessário para reconstituir e/ou edificar os caminhos naturais perdidos. Esse é o modo intuitivo de autocura de todo ser.

Ferramenta do Yoga: PRATYAHARA e DHARANA

Quando nos apercebemos da perda da condição harmônica da concentração, ficamos preocupados, porque não podemos obtê-la através de atitudes imediatistas, mas apenas quando cessam os desejos, quando desligamos/superamos os sentidos físicos e ativamos a imaginação às suas contrapartes. Cada um dos cinco órgãos do sentido tem sua contraparte, ou seja, sua dimensão sutil. Entende-se que a prática de Pratyahara nos permite reconhecê-las, pois a mesma tece com fios de luz, em nosso ser sutil, possibilidades, enquanto Dharana, a permanência consciente, aumenta o potencial daquelas possibilidades. Ou seja, Pratyahara ativa as conexões, mas é preciso forjá-las através de Dharana – a concentração consciente! Pratyahara e Dharana são preciosas ferramentas transmitidas através do milenar Yoga e de sua permanente releitura por muitos de seus mestres.

A concentração consciente apresenta-se, pois, como um desafio a despeito de nossa boa capacidade de nos concentrarmos naquilo a que estamos habituados. Em outras palavras, nossa tendência é nos fixarmos em um padrão de concentração inconsciente, o que pode se traduzir em desequilíbrios, pois hábitos significam inconsciência. E, se a esfera do inconsciente for mais forte que a do consciente, torna-se difícil a superação de condicionamentos, considerando-se que permanecemos numa inconsciência – sob cujo controle estão as emoções – que é mais forte que a esfera lógica e racional. Portanto, a única possibilidade de superarmos a predominância da esfera inconsciente é aumentarmos o conhecimento! Conforme Oki do yoga, Dharana é “o treinamento consciente para harmonizar e reunificar todas as capacidades vitais, direcionando-as para a realização do próprio propósito

A concentração consciente no caminho do yoga promove a integração das partes, que desaparecem na clara meditação – a liberação das partes.

Pratyahara, por sua vez, significa “suprimir os sentidos” ou “controlar os sentidos”. Refere-se a uma disciplina cuja incorporação ao nosso cotidiano parece difícil. Mas então vejamos as contrapartes. Ao sentirmos frio, esse frio, provavelmente estará vindo de fora e se imaginarmos que nosso coração produz suave calor, nos sentiremos melhor. Outro exemplo mais linear: você está relaxando e alguém lhe diz “olhe para a parte posterior de sua massa cerebral”. É claro que você não vai abrir os seus olhos para fazer isso. Irá apenas levar seu pensamento para esse seguimento do cérebro e, por alguma conexão, a energia chegará lá e uma escuta se abrirá. Seria esse um bom começo para tecer filamentos através da imaginação: os sentidos, atuando para dentro, nos introduzem em uma outra dimensão, amenizando a dependência àquilo a que somos apegados no exterior. Quando fazemos esse treinamento, estamos recriando e/ou fortalecendo estruturas que constituem a fisiologia sutil do nosso ser, tão ameaçado pelo estresse e por atitudes equivocadas que depreciam ele mesmo – o ser – e a Natureza. Pratyahara significa, segundo Oki do yoga, “encontrar o reequilíbrio do pensamento graças a uma visão convertida da realidade que move a energia para dentro, desapegando-se do que se é habituado, do para fora”.

A PADRONIZAÇÃO DE SI MESMO

Ao vivenciarmos Pratyahara, deixamos de lutar com os apegos e condicionamentos inconscientes, pois muitas outras possibilidades se abrem. Ademais, deve-se frisar que cada ser humano precisa buscar uma imagem intuitiva ou padronização de si mesmo, pois, quanto mais informações cada um obtiver, mais a consciência coletiva se ampliará, e poderemos fazer generalizações a respeito da estrutura energética do ser humano. Ou, quem sabe, perceber sua singularidade! Em outras palavras, acessar tais conteúdos através da imaginação contribuirá para que se construa uma percepção da natureza multidimensional através dos campos de energia humano. É bom lembrar a abrangência dessa imaginação, que é para dentro - além das moléculas ou do que as origina – e para fora, o macrouniverso

O QUE JÁ SABEMOS

A sabedoria milenar tem contribuido com modelos que nos sustentam e inspiram no acesso à realidade sutil do corpo humano. Entre os mais revisados em nossas práticas, estão os chakras, os meridianos, os paralelos, os tantiens e os pontos vitais. Outros modelos estão sendo propostos na atualidade. Convém no entanto destacar que a prática de Pratyahara - padronização de si mesmo - nos faz co-criadores de nossa própria estrutura energética, alargando a percepção a ser captada por todos os seres humanos.

AS ESCOLHAS

É importante que tenhamos escolhas nessa construção da estrutura energética do nosso ser, seja recriando-se os modelos que a sabedoria milenar tem transmitido, seja exercitando-nos com liberdade para apreender a realidade sutil e expressar um padrão para nós mesmos. Mas tais escolhas serão preciosas se forem ativadas em nosso interior através de Pratyahara. Por isso, todos os momentos de prática yoguica dedicados ao perceber, imaginar, pensar e ao sentir são significativos. Esse modo de busca consciente reforça as conexões, que serão representadas da forma como pudermos imaginá-las: nós cristalinos, fios condutores de natureza magnética, eletromagnética ou outra.

Tecer com fios de luz novos elos, reforçar ou emendar os elos perdidos pelo estresse e tudo mais são ferramentas diárias para manter a conexão com o existir – o Eixo- e usufruirmos do estado espontâneo de concentração consciente.

A concentração consciente (Dharana) no caminho do yoga promove a integração das partes, que desaparecem na clara meditação (Dhyana) – a liberação das partes. Ao intensificarmos essas práticas, acumulamos memórias energéticas que podemos acessar como instrumento de autocura e realização dos propósitos existenciais humanos.

  Namaskar!
Odila Zanella é professora de Oki do Yoga em Porto Alegre RS
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